A Mineração de Dados e a Degradação da Democracia

Esse artigo explica o que está por trás das estratégias de target marketing dos presidenciáveis dos Estados Unidos; e algumas desvantagens relativas ao uso de dados pessoais para mapeamento de delineamento de estratégias de campanha.

A Mineração de Dados e a Degradação da Democracia

O real perigo da privacidade não é a mineração de dados das grandes corporações ou a vigilância governamental, mas sim ambos

Entre os posts que saem na grande mídia, provavelmente essa é a opinião mais fundamentada e que tem uma maior visão sobre a questão da privacidade e a mineração de dados, na qual faz a relação entre o que as grandes empresas sabem sobre nós, a vigilância governamental; e como essas organizações estão intrinsecamente ligadas e porque isso é uma ameaça a privacidade como um todo.

O artigo inicia com uma declaração na qual para quem realiza mineração de dados pode ser trivial, mas para pessoas comuns chega a ser assustador em termos de como corporações tem total conhecimento dos nossos dados pessoais:

It is said that a Visa executive – as in Visa, the credit card system – can predict your divorce one year ahead of yourself, based on your buying habits. There’s a recent telling anecdote where Target, the chain of stores, knew that a teenage woman was pregnant before her parents knew. If our purchase habits give away our life and privacy to this degree – imagine what Google or Facebook would be able to predict, if they wanted to?

Sob o aspecto governamental, como já foi postado anteriormente sobre a TIA (Total Information Awareness) na qual após uma parceria entre a Google e a CIA (Uma típica parceria publico privada) esse programa foi estranhamente colocado na geladeira pelo governo americano.

Esse quote mostra bem sobre o que o governo é capaz de fazer com as suas informações:

So let’s instead jump to what governments can do. Many enough countries now have blanket wiretapping laws in place that let them wiretap all their own citizens’ net traffic, all other citizens’ traffic, or both. (This would have been absolutely unthinkable just a decade ago.) Additionally, the security services generally share raw data between them – so just because you’re not tapped in your home country, that doesn’t mean your local security service doesn’t have a copy of everything you’ve ever typed or sent online; it can be tapped anywhere.

Governments are not only able to knock down your door when you behave in a way they don’t approve of. They even like doing exactly that, and see it as their job. This is something of a problem, and quite a severe one.

 

Dentro dessa abordagem que o autor propõe, cabe ressaltar que em alguns anos haverá a necessidade de uma regulação a respeito da aquisição/controle/comercialização das informações pelas empresas bem como maiores controles por parte do setor governamental. A discussão é boa e o artigo coloca um interessante ponto de vista. Vale a leitura.

O real perigo da privacidade não é a mineração de dados das grandes corporações ou a vigilância governamental, mas sim ambos

Mineração de Dados X Senado

Esse embate está em vias de entrar na FTC (Federal Trade Comission, algo como o nosso Conselho de Administração Econômica (CADE) que tem como função auditar e verificar questões relativas as atividades comerciais no Estados Unidos) e tem como objeto uma dúvida do senador John Rockfeller na qual ele questiona os trabalhos de Data Gathering e comercialização de dados seja de birôs de cobrança; comércio de dados e agregadores diversos. É uma questão que merece uma atenção especial e que tem impacto direto dentro da mineração de dados.

O documento original está aqui.

John Rockfeller – Letter in FTC Commision

Mineração de Dados X Senado

Big Data já atraí a atenção de escritórios de advocacia

Não era de se esperar, que a clava da regulação e do ajuste de condutas iria se erguer sobre o Big Data; seja no estabelecimento de Guidelines ou mesmo na forma de regulação e legislação específica. Por mais que seja restritivo para alguns analistas é um mal necessário devido ao fato de que sem regulação as empresas (e principalmente os governos) têm o passaporte amplo para realizarem análises e cruzamentos de dados mais diversos para cercear o poder das e principalmente as vidas dos cidadãos. É uma discussão que apesar de ser tratada de forma periférica por muitos analistas de dados, é de suma importância para o desenvolvimento de projetos de Big Data.

Big Data já atraí a atenção de escritórios de advocacia

Governmental Data Mining and its Alternatives

A Mineração de Dados no âmbito governamental tem se tornado uma preocupação bem recente na esfera acadêmica e judiciária. As implicações na aquisição, seleção, e privacidade sobre uma base de dados pública é de uma importância muito grande, e governos ao redor do mundo ainda não estão preparados para lidar com essas questões. Esse paper do pesquisador Tal Zarsky da University of Haifa – Faculty of Law apresenta um plano de trabalho bastante interessante sobre a utilização desses dados, para aplicação em diversas questões do quotidiano estatal como previsões, segurança, detecção de ameaças entre outros. Vale a pena a leitura.

Penn State Law Review, Vol. 116, No. 2, 2011

Abstract:

Governments face new and serious risks when striving to protect their citizens. Data mining has captured the imagination as a tool which can potentially close the intelligence gap constantly deepening between governments and their targets. The reaction to the data mining of personal information by governmental entities came to life in a flurry of reports, discussions, and academic papers. The general notion in these sources is that of fear and even awe. As this discourse unfolds, something is still missing. An important methodological step must be part of every one of these inquires mentioned above – the adequate consideration of alternatives. This article is devoted to bringing this step to the attention of academics and policymakers.

The article begins by explaining the term “data mining,” its unique traits, and the roles of humans and machines. It then maps out, with a very broad brush, the various concerns raised by these practices. Thereafter, it introduces four central alternative strategies to achieve the governmental objectives of security and law enforcement without engaging in extensive data mining and an additional strategy which applies some data mining while striving to minimize several concerns. The article sharpens the distinctions between the central alternatives to promote a full understanding of their advantages and shortcomings. Finally, the article briefly demonstrates how an analysis that takes alternative measures into account can be carried out in two contexts. First, it addresses a legal perspective, while considering the detriments of data mining and other alternatives as overreaching “searches.” Second, it tests the political process set in motion when contemplating these measures. This final analysis leads to an interesting conclusion: data mining (as opposed to other options) might indeed be disfavored by the public, but mandates the least scrutiny by courts. In addition, the majority’s aversion from the use of data mining might result from the fact that data mining refrains from shifting risk and costs to weaker groups.

Governmental Data Mining and its Alternatives

Governmental Data Mining and its Alternatives