Algumas provocações sobre o post do Pós Graduando

Parafraseando o colega do Bolha de Brasília, vou fazer um pequeno prólogo sobre a situação da Pós-Graduação no Brasil e os motivos para se objetivar a área acadêmica.

Se alguém quisesse um conselho sobre qual direção dar em sua carreira, seria muito enfático: Faça um mestrado de qualidade o mais rápido possível, pois além de te dar a possibilidade de ir além no aspecto de pesquisa que melhora a vida das pessoas e amplifica o debate técnico-cultural em sua comunidade, o futuro irá lhe reservar ótimas vagas devido a diferenciação de sua formação.

Alguns devem pensar que sou louco, um ermitão ou algo do gênero. Mas não.

A possibilidade não só na área de pesquisa, mas também na área profissional que o mestrado possibilita um amplo leque de possibilidades e atuações. A pessoa que se submete a esse tipo de programa, não somente busca a titulação, como também desenvolve a competência de “aprender a aprender”. Em tempos em que grande parte da nossa mão de obra “Qualificada” são pessoas que fazem parte da triste estatística de analfabetismo funcional, é mais do que necessário que tenha alguém para “carregar o piano” quando falamos de inovação e pesquisa séria. Para quem assistiu Tempos Modernos, e acompanha a atual situação; o apertador de parafusos de ontem é o apertador do mouse do computador de hoje.

Muitos acreditam que o Mestrado de fato não contribuí para melhoria da vida das pessoas de uma maneira mais prática; mas isso não deve partir de uma sala de aula; mas sim das pessoas que ganharam o seu voto (sim, aqueles mesmos que você colocou o número e apertou confirma). Todos acham que só porque uma pessoa tem um diploma de mestre ela automaticamente é dotada de amplos poderes para resolver todos os problemas da sociedade na qual ela está inserida.

Mas mais do que falar de maneira desestruturada, vejam porque eu tenho esse pensamento:

1 – Fazer a Diferença: Esse é o primeiro lema para quem deseja entrar em um programa desse gênero. Se for para estudar por estudar, sem que haja nenhum tipo de contribuição; acho melhor passar as noites (e madrugadas) em atividades bem mais agradáveis, como por exemplo, sinuca no bar com os amigos. Vejam, não é porque disse agradável, que necessariamente deixei implícito que seria melhor. Digo no sentido de fazer a diferença, é contribuir com o corpo de conhecimento que molda a cultura da sociedade na qual o elemento está inserido, bem como doar (dedicar) parte do seu tempo (e alguns casos até a vida) para soluções, métodos que de uma maneira ou de outra acabam ajudando no aspecto geral a vida das pessoas. Se não acredita, dá uma olhadinha nessa dissertação de mestrado e veja se ela não te ajuda nos dias de hoje

2 – Aplicar conhecimento e contribuir com a sua cultura acadêmica: É autoexplicativo. Em minha monografia estudei aspectos relacionados à aplicação de Mineração de Dados na esfera pública; e de certa forma apliquei parte dos meus conhecimentos de análise de dados aplicada à nossa realidade; e que se implementado poderia mudar todo o paradigma da forma na qual governamos as nossas cidades/estados/país, ajudando milhões de pessoas Brasil a for a. Até o final do ano vou imprimir 26 cópias para cada um dos governadores e pretendo ainda conversar com o Jorge Hage Sobrinho, Ministro de Estado Chefe da Controladoria-Geral da União sobre o meu trabalho. E não tem maior satisfação em doar parte do tempo para o ganho em rede.

3- Fazer algo substancial da vida: Citando o Dalai Lama “Dividir conhecimento, é alcançar a imortalidade”. Nesse caso, vou citar apenas a profissão de Mestre na questão de ensino acadêmico. Hoje, mais do que nunca temos uma sociedade que gira em torno da informação; e o papel do professor hoje é muito mais substancial do que anos atrás. Antigamente o professor ensinava normas, conceitos; hoje ele é a pessoa que é responsável por desenvolver competências; habilidades essas que só melhoram a qualidade de vida das pessoas, que vão desde pretensões de mudança de emprego, até atingir uma posição de vida satisfatória através dos estudos e dos ensinamentos do professor.

 Mas se não acredita em mim, acredite nesses camaradas abaixo:

 1 – Faculdade como commodity: Não vou entrar em discussões sobre aspectos socioeconômicos sobre a inclusão no meio universitário, porque isso além de ser uma atitude rasteira; soa até como leviana vindo de alguém que tem o mesmo perfil dessa nova sociedade; porém que obteve seus fins por outros meios.

 Feitas as devidas ressalvas…

 Pessoal, não se iludam: Sabe aquele sonho que muitos veem nos filmes de Holywood no qual o cara termina a faculdade, e já vai para aquele escritório de advocacia, no qual todos os sócios são uns caras velhos e chatos e que você chega como uma estrela, e que em menos de 6 meses já está com 2 aumentos de salários e mandando e todo mundo? Esqueçam isso.

 O mundo corporativo gira dentro de uma estrutura de competências muito complexa, e ainda tem o famoso e glorioso NETWORKING no qual não importa o que VOCÊ SABE, mas sim QUEM VOCẼ CONHECE. Em um mundo tão conectado, as pessoas se falam e dentro do propósito da economia capitalista, na qual há o livre mercado de contratação de recursos humanos (ou seja, não há reserva de mercado) nada mais justo que as empresas contratem pessoas que elas têm mais confiança e afinidade do que pessoas competentes de fato. E isso pode levar muita gente que está pagando em parcelas a sua faculdade a um tipo de frustação que jamais sonharam.

 E mais… Não é preciso ter lido a obra do Adam Smith para saber que com o aumento da oferta (pessoas com o diploma de graduação) os preços (leia: salários) diminuem (ou seja, esqueça aquele salário inicial de R$ 7000 que te falaram na faculdade (ao menos que você trabalhe no Bahamas pra quitar as parcelas do seu curso, e isso é outra história)). E devido a isso muitos que estão nessa situação, podem se pegar em um dia ganhando 3x menos que o cara que tá todo sujo de cimento fazendo uma obra na sua casa. Recado dado.

 2 – Marqueteiros de Pós-Graduação de IES Particulares: Esses sempre terão aquele curso de “Ultimate Financial Certification in Business” ou os grandes “Intensive program of Administration” ou o “Curso de Curta Duração em Liderança”. Pessoal, nada contra; mas são formas mais doloridas de se perder dinheiro. Instrutores desqualificados, avalanches de ppt’s, super sintetização, falta de foco são só alguns dos aperitivos pra quem acredita que esses tipos de cursos vão de fato impulsionar a carreira de alguém. No mais, vão representar R$ 200 de aumento e olhe lá; em geral representam pouco em questão de agregação de valor intelectual. Há cursos sérios? Sim, e muitos. Têm ainda instituições sérias, só garimpar um pouco.

 3 – IES particulares que NÃO têm Strictu Sensu: Em 2011 quando procurei um curso na minha área em Mineração de Dados fui até uma importante escola em São Paulo, e me ofertaram o curso por módicos R$ 41.000 (isso mesmo, quarenta e um mil reais). Com esse dinheiro investido no mesmo período do curso eu teria uma rentabilidade de 7% se investisse em Títulos Públicos, e pensando em termos de mercado (colocação profissional dentro da área de atuação) levando em conta os salários pagos pelo mercado eu teria o retorno em…7 anos? Havia algo de errado nessa história. Perguntei por que o curso de Mineração de Dados (que não era reconhecido ainda) estava mais caro do que um curso em… Stanford, mas até hoje não tive retorno.

 O ponto é: Há uma indústria por trás dessa pseudo-ascensão social através da educação. Há toda uma estrutura de crédito estudantil e facilidades, na qual você contraiu empréstimos a juros pornográficos e depois de formado ou você cai nos órgãos de proteção ao crédito (ceifando as possibilidades de recrutamento) ou você vira escravo do seu financiamento. A escolha é sua.

 4 – Especialistas de produtos / Empresas de Softwares e Certificações: Esses são sujeitos confiáveis. Sempre terão uma resposta na ponta da língua: Empregabilidade, acesso rápido ao mercado de trabalho, aplicações práticas, trabalhar em casos reais, resolução de problemas. Só esqueceu-se de avisar uma coisa pra esse pessoal: “E se a tecnologia mudar?”. Como eu sou da área de TI me sinto até confortável em dissertar sobre esse assunto. Hoje os especialistas de produto tem um nicho de mercado bem estabelecido devido a estrutura de suporte que as empresas montam para ganhar após o deployment de seus produtos (Carl Shapiro e Hal Varian exploram esse aprisionamento em Economia da Informação). Ou seja, os produtos tem o design para dar problemas; e quem melhor do que os especialistas de produtos para solucionar problemas?

Acontece que por mais que esse tipo de indústria pague bem (se você acha que passar 4 anos no banco da faculdade pra ganhar R$ 2000 como analista, tudo bem), há um dinamismo muito grande, o que exige um desdobramento quase que heroico por parte das pessoas que trabalham nesse tipo de tarefa (suporte). Conheço profissionais que estudam/trabalham mais de 18h/dia só falando de problemas; e não colocam nenhum tipo de skill intelectual no seu trabalho; apenas o ferramental.

E mais uma coisa, se você acha que um dia vai chegar a um cargo de liderança, gestão e direção vindo desse segmento; com diria um importante professor meu “Tolinho”; vai ser mais fácil você ficar amplamente desmotivado quando a sua empresa anunciar o novo gerente, um cara novinho que não tem nenhuma ideia do que você está fazendo, mas tem algo relacionado à gestão que você não tem; ou não conseguiu desenvolver ao longo da sua carreira técnica.

 Não acredita em mim?, veja o que o Paul Randal instrutor do Microsoft Certified Master, um dos maiores especialistas Microsoft SQL Server fala sobre as certificações… Microsoft.

 5 – Empresas, empregadores e afins: Esses sim são plenamente confiáveis. Abreviando o que eu coloquei no item 1) é a lógica do mercado. Muitas empresas veem que os empregados estão estudando, pensam na lógica macabra que os mesmos “estão pensando menos na empresa” ou que querem sair. São poucas as empresas que apoiam os estudos, e veem isso como um investimento do empregado para melhor desenvolver as suas competências. Infelizmente, está cheio disso por aí. Então, quando você chegar ao seu patrão falando que quer fazer um mestrado ele te recomendar cursinhos de 36/40hs em matemática financeira, SQL Server e que ninguém vai pra frente com isso acho que está na hora de mudar de emprego.

 Eu não vou me estender (mais) no assunto, porque acho que são motivos suficientes ao menos para uma reflexão. That’s all folks!!!

PS: Post escrito em 40 min folks, take it easy!

PS 2: Alguns links interessantes.

http://scienceblogs.com.br/discutindoecologia/2009/03/pos-graduacao-para-que/

http://aeiou.expressoemprego.pt/Carreiras.aspx?Id=4638

http://jroller.com/vfpamp/entry/por_que_voc%C3%AA_contrataria_um

http://www.odaircavichioli.com.br/2007/11/como-difcil-fazer-mestrado-nesse-pas.html

http://www.eduardodeboni.com/blog/?p=417

http://www.utfpr.edu.br/curitiba/estrutura-universitaria/diretorias/dirppg/programas/ppgeb/duvidas-sobre-mestrado

 

Algumas provocações sobre o post do Pós Graduando

3 comentários sobre “Algumas provocações sobre o post do Pós Graduando

  1. […] De forma breve abordei uma questão sobre certificações em um post que fiz para o Pós-Graduando; porém, a questão é um pouco maior e mais séria: Estariam os profissionais “certificados” por esses Tools Vendors habilitados para trabalharem em um projeto de mineração de dados, estes que possuem uma alta complexidade em todos os aspectos e que não se limita necessariamente à tecnologia? Sinceramente, tenho certeza que não devido a alguns motivos bem breves: […]

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